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As doenças autoimunes surgem quando o sistema imunológico passa a reagir contra estruturas do próprio organismo, gerando inflamação crônica e comprometendo diferentes órgãos e tecidos.

Nas últimas décadas, novas pesquisas ampliaram nossa compreensão sobre o papel da vitamina D na regulação do sistema imunológico, abrindo caminho para  abordagens terapêuticas inovadoras.

Uma dessas abordagens é o Protocolo Coimbra, desenvolvido pelo neurologista Prof. Dr. Cícero Galli Coimbra após décadas de observação clínica e estudo da ação da vitamina D em pacientes com doenças autoimunes. 

O que é o Protocolo Coimbra?

Foto Dr Cicero Coimbra em entrevista

O Protocolo Coimbra, que assim passou a ser chamado e conhecido pelos próprios pacientes, é uma estratégia terapêutica que utiliza doses individualizadas de vitamina D associadas ao acompanhamento clínico e laboratorial rigoroso.

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Seu objetivo é auxiliar na modulação do sistema imunológico, contribuindo para o controle da atividade inflamatória relacionada às doenças autoimunes.

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O tratamento é sempre personalizado e exige monitoramento médico regular, além de orientações específicas sobre alimentação, hidratação e exames periódicos.

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Como o tratamento surgiu?

Neste vídeo, Dr. Cicero Galli Coimbra fala sobre quando ele começou a tratar pacientes com doses mais elevadas de vitamina D por volta de 2010

Quem é o Dr Cícero Galli Coimbra?

O Dr. Cícero Galli Coimbra é médico neurologista, professor e pesquisador brasileiro reconhecido internacionalmente por seus estudos sobre o papel da vitamina D na modulação do sistema imunológico e sua aplicação no tratamento de doenças autoimunes.

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Graduou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e realizou Residência Médica em Neurologia, Mestrado e Doutorado na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Posteriormente, especializou-se em Neurologia Infantil em Miami (EUA) e realizou estágio de pós-doutorado na Universidade de Lund, na Suécia.

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Ao retornar ao Brasil, tornou-se Professor Livre-Docente da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), onde desenvolveu uma sólida carreira acadêmica e científica, dedicando décadas ao estudo dos mecanismos envolvidos nas doenças autoimunes, neurodegenerativas e na regulação do sistema imunológico.

Foto Dr Cicero Coimbra

Dr Cicero Galli Coimbra

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Quem é a
Dra Karine Koller

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Quem é a Dra. Karine Koller e qual é sua relação com o Protocolo Coimbra?

 

Minha história com o Protocolo Coimbra não começou apenas pelo interesse na vitamina D.

 

Ela nasceu do contato direto com o trabalho do Dr. Cícero Galli Coimbra, médico neurologista e criador do Protocolo Coimbra, com quem trabalho desde 2018, acompanhando de perto uma abordagem desenvolvida ao longo de décadas para o tratamento de pacientes com doenças autoimunes.

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Fui treinada na aplicação do Protocolo Coimbra e, ao longo desses anos, passei a acompanhar pacientes com diferentes doenças autoimunes, sempre com atenção à individualização do tratamento, à resposta clínica e, principalmente, às medidas de segurança necessárias quando utilizamos doses elevadas de vitamina D.

Foto com CGC e Holick_edited.jpg

Da prática clínica para a pesquisa científica

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Como médica e pesquisadora, uma pergunta começou a me acompanhar:

 

seria possível estudar cientificamente os efeitos dessa estratégia sobre a atividade inflamatória de uma doença autoimune?

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Foi a partir dessa inquietação que desenvolvi meu Doutorado pela Universidade Federal de São Paulo — UNIFESP/EPM, em cotutela com a Universidade de Barcelona, investigando o uso de altas doses de colecalciferol em pacientes com uveítes autoimunes.

 

A escolha das uveítes não foi por acaso.

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Sou oftalmologista há mais de 20 anos, com formação pela Santa Casa de São Paulo e UNIFESP, e a inflamação ocular sempre fez parte da minha prática médica.

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Meu doutorado permitiu, portanto, unir dois universos que fazem parte da minha trajetória: Oftalmologia e Nutrologia, com foco na imunomodulação pela vitamina D.

O que encontramos na pesquisa? 

No estudo clínico, os pacientes foram acompanhados durante 12 a 36 meses.

 

O grupo tratado recebeu colecalciferol em dose individualizada de 1.000 UI/kg/dia, associado a medidas rigorosas de segurança, incluindo dieta com restrição de cálcio, hidratação adequada e acompanhamento laboratorial periódico.

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Durante o período estudado, observamos menor atividade inflamatória entre o terceiro e o nono mês no grupo tratado com vitamina D, com diferença estatisticamente significativa.

Também observamos apenas uma recidiva no grupo tratado, sem ocorrência de hipercalcemia e com preservação da função renal durante o acompanhamento.

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Esses resultados acrescentam uma peça importante à investigação científica sobre a relação entre vitamina D, imunorregulação e autoimunidade.

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Por que essa experiência influencia a maneira como eu acompanho meus pacientes?

 

Porque o Protocolo Coimbra não deve ser reduzido a uma prescrição de vitamina D.

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Antes de definir qualquer estratégia, procuro compreender o paciente de forma ampla: diagnóstico, atividade da doença, tratamentos em uso, histórico clínico, alimentação, metabolismo, composição corporal, função renal, metabolismo do cálcio, PTH, medicamentos, suplementação e outros fatores capazes de interferir na resposta individual.

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E, quando doses elevadas de vitamina D são utilizadas, segurança e acompanhamento não são opcionais. Fazem parte do próprio tratamento.

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Por isso, dieta restrita em cálcio, hidratação e monitoramento laboratorial são tão importantes quanto a definição individualizada da dose.

Image by Thomas Kinto

Uma trajetória que une experiência clínica, pesquisa e acompanhamento individualizado

Trabalhar ao lado do Dr. Cícero, ser treinada no Protocolo Coimbra e, posteriormente, levar parte dessas questões para dentro da universidade e da pesquisa científica transformaram profundamente a maneira como compreendo as doenças autoimunes.

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Hoje, meu trabalho busca integrar essas experiências.

Não se trata simplesmente de perguntar:

 

“Quanto está a vitamina D?”

 

A pergunta pode precisar ser mais profunda:

 

“Como este organismo está respondendo à vitamina D e quais fatores podem estar interferindo nessa resposta?”

 

É nesse ponto que a investigação deixa de olhar apenas para um exame e passa a olhar para a pessoa.

 

Investigar é uma forma de cuidar.

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Dra. Karine Koller

Médica Oftalmologista e Nutróloga
Doutora pela Universidade Federal de São Paulo — UNIFESP/EPM
Doutorado em cotutela com a Universidade de Barcelona
Médica treinada no Protocolo Coimbra
Atuação no acompanhamento de pacientes com doenças autoimunes e em Medicina de Precisão

CRM 101900/SP | RQE 39948 | RQE 112259

Quais doenças podem ser tratadas pelo Protocolo Coimbra?

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O Protocolo Coimbra foi desenvolvido para o acompanhamento de doenças autoimunes, condições nas quais ocorre uma alteração da regulação do sistema imunológico, levando-o a reagir contra estruturas do próprio organismo.

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Por isso, quando falamos em Protocolo Coimbra, não estamos falando de um tratamento direcionado especificamente ao cérebro, à pele, às articulações, ao intestino ou aos olhos.

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O alvo é a desregulação imunológica que pode estar por trás dessas diferentes manifestações.

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A vitamina D exerce funções que vão muito além do metabolismo ósseo. Seu receptor está presente em diferentes células do sistema imunológico, e sua sinalização participa da regulação de genes envolvidos na resposta inflamatória e imunológica.

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É a partir dessa compreensão que se desenvolveu o uso de doses individualizadas do hormônio conhecido como vitamina D com o objetivo de regular a resposta imunológica, sempre associado a acompanhamento médico e medidas específicas de segurança.

Em quais doenças o Protocolo Coimbra pode ser utilizado?

Entre as doenças autoimunes e imunomediadas que levam pacientes a procurar avaliação para o Protocolo Coimbra estão:

Doenças neurológicas

  • Esclerose múltipla

  • Neurite autoimune, neuromielite óptica e doenças do espectro da neuromielite óptica

  • Outras condições neurológicas de natureza autoimune, avaliadas individualmente

Doenças reumatológicas

  • Artrite reumatoide

  • Lúpus eritematoso sistêmico

  • Artrite psoriásica

  • Espondiloartrites

  • Outras doenças reumatológicas autoimunes

Doenças dermatológicas

  • Psoríase

  • Vitiligo

  • Alopecia areata

  • Outras dermatoses de natureza autoimune

Doenças gastrointestinais

  • Doença de Crohn

  • Retocolite ulcerativa

  • Outras doenças inflamatórias intestinais imunomediadas

Doenças endócrinas autoimunes

  • Tireoidite de Hashimoto

  • Doença de Graves

  • Diabetes mellitus tipo 1, em situações que exigem avaliação individualizada

Doenças oftalmológicas autoimunes e inflamatórias

  • Uveítes de origem autoimune

  • Outras doenças inflamatórias oculares em que exista participação imunológica

Esse último grupo tem uma relação especial com a minha trajetória profissional e científica.

 

Como oftalmologista, dediquei meu doutorado na UNIFESP/EPM, em cotutela com a Universidade de Barcelona, justamente ao estudo de altas doses de colecalciferol em pacientes com uveítes autoimunes.

Depoimentos dos pacientes

Os resultados observados em pacientes com esclerose múltipla — uma das primeiras doenças autoimunes acompanhadas por meio dessa abordagem terapêutica — contribuíram para ampliar o interesse pelo tratamento ao longo dos anos. Muitos desses pacientes compartilharam suas experiências e trajetórias de recuperação, ajudando a difundir o conhecimento sobre o Protocolo Coimbra. Alguns desses relatos podem ser conhecidos no vídeo abaixo.

Neste vídeo, você pode assistir à entrevista do Dr. Cícero ao Globo Repórter, explicando sobre o uso da vitamina D na esclerose múltipla.

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