Quais doenças podem ser tratadas pelo Protocolo Coimbra?
O Protocolo Coimbra foi desenvolvido para pacientes com doenças autoimunes e utiliza doses individualizadas e elevadas de vitamina D com o objetivo de modular a resposta imunológica. Por isso, a pergunta mais adequada não é apenas “qual doença entra na lista?”, mas se existe um mecanismo autoimune relevante, qual é a situação clínica daquele paciente e qual é a evidência disponível para aquela condição.
Doenças neurológicas autoimunes
A esclerose múltipla é a condição mais associada ao Protocolo Coimbra e costuma utilizar doses iniciais mais elevadas nos protocolos publicados. A abordagem também é utilizada por médicos treinados em outras doenças neuroimunológicas, como neuromielite óptica, além de outras condições desmielinizantes selecionadas.
Doenças oftalmológicas autoimunes
Uveítes autoimunes e outras doenças inflamatórias oculares podem fazer parte da avaliação. Esse é um campo particularmente relevante na minha prática por reunir minhas duas áreas de atuação: Oftalmologia e investigação imunometabólica.
Doenças reumatológicas
Entre as condições para as quais pacientes procuram essa abordagem estão artrite reumatoide, artrite psoriásica, espondiloartrites, lúpus eritematoso sistêmico, esclerodermia e outras doenças autoimunes do tecido conjuntivo.
Doenças inflamatórias intestinais
Doença de Crohn e retocolite ulcerativa também aparecem entre as condições tratadas em centros que utilizam o protocolo. Como em qualquer doença autoimune, a decisão precisa considerar atividade, extensão da doença, tratamentos em uso e acompanhamento com a especialidade responsável.
Doenças dermatológicas autoimunes
Psoríase e vitiligo estão entre as condições com publicações relacionadas ao uso de doses elevadas de vitamina D. Dermatite atópica, alopecia areata e outras condições imunomediadas também podem motivar avaliação individual.
Doenças autoimunes da tireoide e outras condições
Tireoidite de Hashimoto, doença de Graves e diabetes tipo 1 são exemplos de outras doenças autoimunes em que a via da vitamina D desperta interesse. A presença de uma doença na prática de médicos que utilizam o Protocolo Coimbra, porém, não significa que exista o mesmo nível de evidência clínica para todas elas.
Nem todas as doenças têm o mesmo nível de evidência
Esse ponto é essencial. Existem estudos mecanísticos, estudos observacionais e trabalhos clínicos em algumas condições, mas a quantidade e a qualidade das evidências variam de uma doença para outra. Para o Protocolo Coimbra como estratégia terapêutica, ainda faltam ensaios clínicos randomizados de maior porte em diversas indicações.
A indicação começa pela investigação
Antes de qualquer decisão, é necessário revisar diagnóstico, atividade da doença, exames, função renal, metabolismo do cálcio, medicamentos, suplementos, alimentação e fatores que possam interferir na resposta individual. Doses elevadas de vitamina D não devem ser utilizadas por conta própria.
O objetivo não é tratar uma lista. É compreender a doença e a pessoa que está diante de nós.
Investigar é uma forma de cuidar.



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